Redução da jornada de trabalho pode custar R$ 48,4 bilhões aos municípios brasileiros.
Estudo da Confederação
Nacional de Municípios (CNM) analisa impactos financeiros das propostas que
tramitam no Congresso Nacional; levantamento também alerta para reflexos nas
carreiras municipais
Em estudo técnico, a
Confederação Nacional de Municípios (CNM) identificou que a redução da jornada
de trabalho no Brasil pode custar R$ 48,4 bilhões aos municípios. O
levantamento analisou os impactos da alteração prevista no PL 1.838/2026 e na
PEC 8/2025 que tramitam no Congresso Nacional.
A maior preocupação dos
gestores recai sobre a PEC 8/2025, que prevê a redução da jornada para 36 horas
semanais. Conforme a CNM, a medida, além do impacto estimado de R$ 48,4 bilhões
nos cofres municipais, também levaria as cidades a contratar 770,3 mil novos
profissionais. As contratações seriam destinadas a manter o atual nível de
prestação de serviços públicos.
Em nota oficial, o
presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, ressaltou que as mudanças devem ser
efetivadas com cuidado e merecem discussão aprofundada. "É
preciso alertar que mudanças tão drásticas devem ser feitas com extrema
cautela, uma vez que no caso dos entes públicos, as consequências de medidas
legislativas serão experimentadas pela própria população”, disse.
A confederação lembra, em
nota, que o texto da PEC deve entrar em vigor um ano após a promulgação. E
avalia que o impacto deve ser ainda maior, considerando que a estimativa não
considera os trabalhadores de empresas terceirizadas que prestam serviços aos
municípios.
Já em relação aos reflexos
financeiros em torno da promulgação do PL 1.838/2026, que altera a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) para estabelecer uma jornada semanal de 40 horas, a
entidade analisa que as consequências são mais limitadas em relação ao texto da
PEC. No entanto, o impacto aos cofres municipais seria de R$ 442 milhões, além
da necessidade de contratação de 7,1 mil novos servidores.
“A amplitude entre os
impactos (PECs e PL) reside não somente no fato da redução da jornada ser menor
no projeto de lei, mas também no escopo das ocupações que serão diretamente
impactadas”, diz um trecho do estudo da CNM.
Reflexos nas carreiras
Além de detalhar os
possíveis reflexos financeiros da redução da jornada de trabalho no Brasil, o
levantamento aponta que as propostas afetam todas as carreiras dos servidores
das prefeituras. Pelo estudo, para os municípios, as áreas mais impactadas
seriam educação, saúde, serviços gerais e os técnicos administrativos.
A conclusão é de que os
serviços mais básicos para a população deverão precisar de um maior volume de
reposição do quadro de funcionários.
Os dados da CNM mostram que,
com a PEC, a administração pública poderá ter um déficit de cerca de 96 mil
professores, 58 mil trabalhadores de limpeza urbana e 22 mil técnicos em
enfermagem.
A confederação destaca que
para minimizar as adversidades em caso de aprovação, os gestores precisarão
repor quase 10% de toda a força de trabalho do país para manter a mesma
estrutura vigente antes da PEC. Outra atitude seria buscar alternativas, como
rearranjo das jornadas de trabalho ou a informatização de parte dos serviços
públicos.
Fonte: Brasil 61 -


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