Com um golpe a cada duas horas, cartórios orientam como evitar golpes na compra de imóveis diante da alta de casos na Paraíba.
Crescimento de estelionatos
no Estado impulsiona fraudes envolvendo falsos corretores, imóveis inexistentes
e vendas duplicadas; site oficial com mais de 84 milhões de propriedades
registradas permite identificar o verdadeiro proprietário e a situação do imóvel
antes do negócio
Os golpes envolvendo compra,
venda e aluguel de imóveis têm se multiplicado na Paraíba, acompanhando a
escalada dos crimes de estelionato no estado, que já somam cerca de 5 mil
ocorrências por ano — o equivalente a um golpe a cada duas horas —, com
crescimento de 249% desde 2018, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança
Pública 2025.
Para evitar esse tipo de
fraude, os Cartórios de Registro de Imóveis disponibilizam o site oficial RI
Digital (ridigital.org.br), plataforma que reúne dados de mais 1,3 milhões de
propriedades em todo o estado e que permite consultar quem é o verdadeiro
proprietário do imóvel, qual é a sua situação jurídica atual e se existem
impedimentos legais para a sua venda.
Pelo sistema é possível
solicitar a certidão digital da matrícula, documento que reúne todo o histórico
da propriedade e identifica o proprietário atual, além de apontar a existência
de penhoras, dívidas, indisponibilidades ou outros bloqueios que possam impedir
a transferência do bem.
A ferramenta atua justamente
no ponto mais vulnerável das negociações fraudulentas: a falta de verificação
em base oficial. Isso porque anúncios, contratos de gaveta e documentos
particulares apresentados durante a negociação podem ser falsificados. “O
Registro de Imóveis garante publicidade, autenticidade e segurança jurídica às
informações sobre a propriedade, protegendo compradores, vendedores e toda a
sociedade”, afirma Carlos Ulysses Neto, presidente da Associação dos Notários e
Registradores do Estado da Paraíba (Anoreg/PB).
Entre os golpes mais comuns
estão a venda de imóveis por falsos proprietários, a oferta de propriedades
inexistentes ou que não estão à venda, a negociação do mesmo bem para várias
pessoas e a ocultação de dívidas ou restrições que impedem a transferência. Um
cenário em que ter acesso à informação correta passou a ser o diferencial entre
realizar um investimento seguro ou assumir um prejuízo que pode comprometer
economias de uma vida inteira.
Casos recentes, como a
autuação de falsos corretores e a desarticulação de uma quadrilha que operava
em seis estados e causou prejuízos estimados em R$ 12 milhões, mostram como o
impacto dessas fraudes pode atingir pessoas de qualquer perfil. Em muitos
episódios, as vítimas só descobrem o golpe ao tentar formalizar a escritura ou
registrar o imóvel, quando constatam que o vendedor não é o proprietário ou que
há impedimentos legais desconhecidos.
Como se proteger
Antes de qualquer pagamento,
o comprador pode acessar o RI Digital (ridigital.org.br) para verificar as
informações do imóvel diretamente na base oficial. Caso ainda não tenha o
número da matrícula, é possível utilizar a pesquisa para identificar imóveis
vinculados ao CPF ou CNPJ do suposto vendedor.
Com a matrícula localizada,
o passo essencial é solicitar a certidão digital atualizada, documento que
confirma quem é o proprietário e apresenta todo o histórico do bem, incluindo
eventuais dívidas, penhoras ou restrições. A orientação é só avançar na
negociação após conferir se o imóvel está, de fato, em nome de quem está
vendendo e se não há impedimentos legais para a transação.
Ascom


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