Brasil aciona OMC contra tarifas impostas pelos Estados Unidos.
EUA aplicaram tarifas de 25% e 12,5% em produtos brasileiros
O governo brasileiro apresentou nesta segunda-feira (27) um
pedido de consultas aos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias
da Organização Mundial do Comércio (OMC), contestando duas medidas tarifárias
adotadas pelo país norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de
1974.
Segundo nota divulgada pelo Ministério das Relações
Exteriores, o Brasil considera que as tarifas são injustificadas e
incompatíveis com as obrigações assumidas pelos Estados Unidos no âmbito do
Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e das regras que
disciplinam o mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
Uma das medidas questionadas decorre de uma investigação
específica sobre o Brasil e impôs tarifa adicional de 25% sobre produtos
brasileiros. No processo, os Estados Unidos examinaram temas como comércio
digital e serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, aplicação
da legislação anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao
mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.
A segunda medida foi resultado de uma investigação conduzida
com 60 economias e estabeleceu tarifa adicional de 12,5% para produtos
brasileiros. Nesse caso, o foco da investigação foi a existência e a aplicação
de restrições à importação de bens produzidos, total ou parcialmente, com
trabalho forçado.
O pedido de consultas representa a primeira etapa formal do
sistema de solução de controvérsias da OMC. Nessa fase, os países buscam
negociar uma solução para o conflito antes da eventual instalação de um painel
para analisar o caso.
De acordo com o Itamaraty, a iniciativa busca contestar a
compatibilidade das medidas tarifárias norte-americanas com as normas
multilaterais de comércio.
Tarifaço
As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos vão atingir
US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano,
informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
(MDIC).
Segundo a pasta, a sobretaxa acumulada de 37,5% alcança 16,5%
das exportações brasileiras para os EUA.
Entre os itens atingidos estão máquinas e equipamentos,
diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
Agência Brasil


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