Governo abre processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA
Análise formal vai definir
se Brasil adotará contramedidas comerciais
O governo federal anunciou
nesta quinta-feira (13) a abertura formal do processo para avaliar se a
imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos (EUA) contra
exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade
Econômica.
Em nota, o Palácio do
Planalto informou que o procedimento foi iniciado a partir do compartilhamento
do pedido pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) com
os demais integrantes de seu Comitê-Executivo de Gestão. Paralelamente, o Ministério
das Relações Exteriores (MRE) notificará o governo dos Estados Unidos e
solicitará a abertura de consultas diplomáticas.
"As consultas
diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das
contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a
disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em
suas relações internacionais", diz a nota.
A abertura do processo não
significa que o Brasil tenha decidido aplicar imediatamente contratarifas ou outras
medidas de retaliação contra produtos norte-americanos. Neste momento, o
governo inicia uma análise formal para verificar se as medidas dos EUA
justificam a adoção de respostas previstas na legislação brasileira.
Lei de Reciprocidade
Aprovada no ano passado,
justamente em reação ao primeiro tarifaço do governo de Donald Trump, a Lei nº
15.122 estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta
a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte
negativamente a competitividade econômica do Brasil.
Dentre as possíveis medidas,
o Brasil poderá impor tributos ou taxas, acabar com isenções ou redução de
valores de tarifas de importação, ou ainda restringir importações de bens ou
serviços. Pela lei, as contramedidas devem ser, na medida do possível,
aplicadas na mesma proporção do prejuízo econômico causado por outro país ou
bloco econômico ao Brasil.
"As tarifas
norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará
defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", prossegue a nota
emitida pelo Planalto.
Tarifaço
Em julho, o Escritório do
Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários
produtos provenientes do Brasil, após cerca de um ano de análise. Foram taxados
exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos
farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de
aviação, além de outros produtos manufaturados.
O USTR justificou suas taxas
dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou
restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e
exportadores estadunidenses. Uma sobretaxa adicional de 12,5% também foi
aplicada na sequência sobre mais produtos nacionais, sob a alegação de que o
Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias
produzidas com trabalho forçado.
Com isso, as novas tarifas
em vigor desde o fim do mês passado atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em
exportações brasileiras ao mercado norte-americano, segundo levantamento do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Argumentos
O governo federal já havia
apresentado um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da
Organização Mundial de Comércio (OMC), argumentando que as tarifas aplicadas
são "inconsistentes" com as regras definidas pela entidade. Em
resposta, os EUA aceitaram o pedido para participar das consultas no âmbito da
OMC.
Desde o início das taxações
por parte do governo Trump, o Brasil vem reforçando que na relação comercial
entre os dois países, os EUA são superavitários, ou seja, vendem mais do que
compram. Na nota em que anuncia a abertura do processo de reciprocidade
econômica, o governo brasileiro aponta que seguirá atuando para reduzir os
danos causados pelas tarifas à economia e à renda dos brasileiros.
"Continuaremos a
defender o multilateralismo e a reforma da OMC e seguiremos trabalhando pela
diversificação de parcerias comerciais e abertura de novos mercados para nossos
produtos. Manteremos medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas por
meio do Plano Brasil Soberano, preservando empregos e a capacidade produtiva
nacional".
Agência Brasil


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