Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre diretor da PF
Ministro deu 48 horas para
que diretor peste informações à Corte
O presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, atendeu ao pedido da Advocacia-Geral da
União (AGU) e suspendeu nesta quarta-feira (9) o afastamento do diretor-geral
da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, do cargo. O diretor de Inteligência
da PF, Leandro Almada, também teve seu afastamento suspenso. Ambos haviam sido
afastados dos cargos pelo ministro André Mendonça na terça-feira (8).
Fachin suspendeu também a
decisão do ministro Flávio Dino, que reintegrou os dois dirigentes aos cargos
nesta quarta (9). Fachin deu prazo de 48 horas para que Andrei Rodrigues se
manifeste.
Na prática, os dois
diretores da Polícia Federal voltam aos seus cargos, mas em atendimento à
liminar da AGU, e não em virtude da decisão de Dino.
Em sua decisão, o presidente
da Corte criticou a guerra de decisões entre ministros.
“O afastamento das
autoridades policiais que ora se examina encadeou decisões monocráticas
sucessivas com comandos normativos incompatíveis entre si”, disse Fachin.
“É grave o quadro em que
decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando
pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste
Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob
apreciação desta Presidência”, acrescentou, ainda em sua decisão.
Fachin marcou para o dia 15
de setembro uma sessão no plenário da Corte para decidir se o ministro
Alexandre de Moraes será investigado por suposta relação com o banqueiro Daniel
Vorcaro, dono do banco Master. Vorcaro está preso atualmente.
Guerra de decisões
A crise entre ministros do
Supremo emergiu na semana passada, após Mendonça retirar o sigilo de um
relatório da PF que trazia mensagens supostamente enviadas por Vorcaro a
Moraes.
As conversas mostram
citações aos nomes de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. As
mensagens foram recuperadas do celular de Vorcaro, alvo central da Operação
Compliance Zero, que trata da suspeita de fraudes financeiras bilionárias no
Master. Moraes nega as acusações.
Em resposta, Moraes incluiu
Mendonça no inquérito das Fake News, relatado por ele, baseado em um relatório
interno e inconclusivo da Polícia Federal. O relatório dizia que Mendonça
teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade
administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos
políticos.
Nesta semana, Mendonça
aceitou um pedido do partido Novo e afastou Rodrigues e Almada, bem como
determinou a interrupção da confecção de relatórios de inteligência por parte
da PF. A decisão provocou reação dentro da Polícia Federal, com os demais
diretores colocando seus cargos à disposição, em apoio a Andrei Rodrigues.
A AGU pediu a Fachin a
suspensão da decisão de Mendonça. Mas, antes que o presidente da Corte se
manifestasse, Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues e
Leandro Almada, na manhã desta quarta (9). Entre os argumentos apresentados, o
ministro afirmou que o partido Novo não tinha legitimidade para fazer tal
pedido.
Dino também argumentou que a
interrupção na produção de relatórios pela PF traria prejuízo às investigações
sob sua relatoria. A decisão de Dino foi tomada no processo em que a PF analisa
o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo em investigações sobre o
desvio de emendas parlamentares para financiar a produção do filme Dark Horse,
cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Agência Brasil


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