Cortes e bloqueios no orçamento federal retêm R$ 2,5 bilhões que iriam para municípios.
A pasta com maior valor
afetado é o Ministério da Saúde, com R$ 713,6 milhões retidos, ou 28,6% do
total
Um levantamento da Confederação
Nacional de Municípios (CNM) no Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento
(Siop) aponta que R$ 2,5 bilhões em dotações discricionárias previstas para
2026 e destinadas às prefeituras estão contingenciados ou bloqueados. O
montante representa 6,8% dos R$ 36,8 bilhões autorizados para repasses aos
governos locais.
Do total retido, R$ 1,28
bilhão (51%) refere-se ao contingenciamento temporário focado no cumprimento da
meta fiscal. Os R$ 1,22 bilhão restantes (49%) correspondem a bloqueios que
reservam os recursos para eventual cancelamento.
A pasta com maior valor
afetado é o Ministério da Saúde, com R$ 713,6 milhões retidos (28,6% do total).
Na sequência aparece o Ministério das Cidades, com R$ 595,9 milhões (23,9%).
Juntas, as duas áreas somam 52,5% das retenções.
Impactos
Na Saúde, o principal
impacto incide sobre a estruturação de unidades de Atenção Especializada (R$
488,1 milhões). No Ministério das Cidades, as ações de apoio a projetos de
reabilitação, acessibilidade e modernização em áreas urbanas tiveram 96,3% da
dotação suspensa, somando R$ 309,8 milhões.
O Ministério da Educação
teve R$ 424,9 milhões atingidos — o que equivale a 73,2% da verba autorizada
para o programa Caminho da Escola, voltado à compra de veículos de transporte
escolar. Já nos ministérios do Turismo (R$ 224,9 milhões) e da Integração e do
Desenvolvimento Regional (R$ 214,5 milhões), os cortes foram efetuados
integralmente por meio de bloqueio.
Riscos à gestão municipal
A CNM aponta que a restrição
orçamentária afeta a gestão das prefeituras e alerta que o montante congelado
pode aumentar. Com a retenção das verbas federais, os municípios são pressionados
a usar recursos próprios para impedir a interrupção de obras e serviços, o que
reduz a capacidade de investimento local.
Outro problema está
relacionado aos atrasos nas medições de obras financiadas pela União, que podem
paralisar intervenções e gerar pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro por
parte das empresas contratadas. A incerteza quanto à liberação dos valores
dificulta o encerramento do exercício financeiro e estimula o acúmulo de restos
a pagar.
Para tentar reverter o
quadro, a entidade enviou ofícios aos ministérios solicitando a preservação das
ações direcionadas aos municípios e informou que segue atuando para conter
novos impactos.
Brasil 61 –


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