Entenda como o tamanho das bancadas define o poder dos partidos no Senado.
PL terá 29 dos 81 senadores
em 2027, ampliando sua influência sobre votações, CPIs, comissões e indicações
para cargos públicos
A partir de fevereiro de
2027, as 81 cadeiras do Senado Federal serão distribuídas entre as bancadas de
13 partidos políticos e um senador sem filiação partidária. O Partido Liberal
(PL) será a maior legenda da Casa, com 29 senadores. Trata-se da maior bancada
de um único partido desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, que
definiu as regras eleitorais modernas.
Na sequência, aparecem:
● Partido dos Trabalhadores
(PT): 10 senadores;
● Movimento Democrático
Brasileiro (MDB): 8 senadores;
● Progressistas (PP): 6
senadores;
● Republicanos: 5 senadores;
● União Brasil: 5 senadores;
● Partido Socialista
Brasileiro (PSB): 4 senadores;
● Partido Social Democrático
(PSD): 4 senadores;
● Novo: 3 senadores;
● Podemos: 2 senadores;
● Partido da Social
Democracia Brasileira (PSDB): 2 senadores;
● Rede Sustentabilidade
(Rede): 1 senador;
● Partido Democrático
Trabalhista (PDT): 1 senador.
O senador Romário, eleito em
2022 pelo Rio de Janeiro, é o único parlamentar sem partido na atual composição
do Senado. Ele está sem filiação partidária desde que deixou o PL, em agosto
deste ano.
Como o tamanho das bancadas
influencia o Senado?
O tamanho das bancadas e a
correlação de forças entre os partidos exercem influência direta sobre o
funcionamento do Senado. A distribuição de parlamentares afeta desde a
definição da pauta legislativa até a ocupação dos principais cargos de comando
da Casa.
Entre as atribuições
influenciadas pelo peso das bancadas estão:
● Definição da pauta
legislativa, ou seja, dos projetos que serão votados e do momento das votações;
● Aprovação ou rejeição de
projetos;
● Apresentação de destaques
para modificar ou votar separadamente trechos de propostas;
● Eleição do presidente do
Senado e dos demais integrantes da Mesa Diretora;
● Escolha dos presidentes
das comissões;
● Indicação de relatores nas
comissões;
● Formação e liderança de
blocos parlamentares;
● Aprovação ou rejeição de
indicações do presidente da República para o Supremo Tribunal Federal (STF) e
outros cargos públicos;
● Convocação de ministros de
Estado para prestar esclarecimentos;
● Criação de comissões
parlamentares de inquérito (CPIs);
● Processos de impeachment
de autoridades;
● Manutenção ou derrubada de
vetos presidenciais.
Apesar de alcançar uma
dimensão que lhe garante peso expressivo nas atividades legislativas, o PL não
terá maioria absoluta no Senado. Para isso, precisará formar blocos
parlamentares ou construir acordos com outras legendas.
Quantos votos são
necessários no Senado?
● 27 votos: para apresentar requerimento
de criação de uma CPI;
● 41 votos: para aprovar um
projeto de lei complementar;
● 49 votos: para aprovar uma
proposta de emenda à Constituição (PEC);
● 54 votos: para aprovar a
condenação de uma autoridade em processo de impeachment.
Já a aprovação de projetos
de lei ordinária exige maioria simples, calculada sobre o número de senadores
presentes à votação, desde que haja quórum para deliberar.
Maior bancada amplia espaço
na Mesa Diretora e nas comissões
O tamanho de uma bancada
também influencia a composição da Mesa Diretora do Senado. A Presidência,
atualmente ocupada por Davi Alcolumbre (União-AP), é um dos postos mais
estratégicos da Casa. Cabe ao presidente conduzir os trabalhos legislativos,
organizar as sessões e exercer papel central na definição da pauta de votações.
Na prática, sua atuação influencia quais temas ganham prioridade no plenário e
o ritmo de tramitação das propostas.
Os demais cargos da Mesa
costumam ser distribuídos por meio de acordos entre os partidos e blocos
parlamentares. Em geral, quanto maior a bancada, maior o espaço da legenda na
composição do colegiado e seu poder de escolha sobre os postos que pretende
ocupar.
A mesma lógica se aplica às
comissões permanentes. Os partidos têm direito a ocupar as presidências desses
colegiados de acordo com a proporcionalidade de suas bancadas e, conforme a
ordem de escolha, podem optar primeiro pelas comissões consideradas mais
estratégicas.
Entre as mais disputadas
estão a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e a Comissão de
Assuntos Econômicos (CAE).
Destaques ampliam o poder de
negociação dos grandes partidos
As maiores bancadas também
dispõem de mais espaço para utilizar os chamados destaques, um dos instrumentos
de negociação mais importantes durante a tramitação de projetos no Senado. O
mecanismo permite separar trechos específicos de uma proposta para que sejam
votados individualmente, em vez de integrarem a votação do texto principal.
Diferentemente dos destaques
apresentados individualmente por senadores, que dependem das regras de
deliberação do Plenário, os destaques de bancada têm tratamento regimental
próprio e garantem aos partidos maior capacidade de interferir na votação. A
quantidade de destaques a que cada legenda tem direito varia conforme o tamanho
de sua representação, o que amplia o poder de negociação das maiores bancadas
para propor alterações e influenciar a redação final dos projetos.
Se estiver na oposição, o
maior partido do Senado também terá mais instrumentos para fiscalizar as ações
do governo. O tamanho da bancada pode facilitar a mobilização necessária para
requerer a criação de CPIs e convocar ministros de Estado para prestar
esclarecimentos.
A força numérica também
amplia a capacidade de articulação para derrubar vetos presidenciais e rejeitar
indicações feitas pelo chefe do Executivo para cargos estratégicos, como
embaixadores, diretores de agências reguladoras, procurador-geral da República,
integrantes da diretoria do Banco Central e ministros do STF.
Brasil 61 -


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