TJ do Maranhão decreta intervenção no município de Turilândia. Governador terá de nomear o interventor no prazo de 15 dias.
O Tribunal de Justiça do
Maranhão (TJMA) decretou nesta sexta-feira (23) intervenção no município de
Turilândia, localizado a a 157 quilômetros (km) da capital do estado, São Luís.
A intervenção será pelo prazo de 180 dias, podendo ser prorrogada, mediante
nova deliberação colegiada.
O prefeito do município,
José Paulo Dantas Silva Neto, conhecido como Paulo Curió; sua esposa, Eva Maria
Cutrim Dantas, a Eva Curió; a vice-prefeita Tânya Karla e a ex-vice-prefeita
Janaína Soares Lima foram denunciados por um esquema de desvio de recursos que
causou danos de mais de R$ 56 milhões aos cofres do município maranhense.
Caberá ao governador do
Maranhão, Carlos Brandão, nomear o interventor no prazo de até 15 dias, por
meio de decreto contendo, entre outros pontos, o período de intervenção e a
extensão dos atos administrativos alcançados.
De acordo com a decisão, a
intervenção se restringe ao Poder Executivo municipal. As funções legislativas
permanecem com a Câmara Municipal. Caberá ao interventor apresentar relatório
circunstanciado em até 90 dias, com diagnóstico da gestão e providências
adotadas. O tribunal também determinou a realização de auditoria nas contas do
município.
Os investigados foram presos
durante a Operação Tântalo II, realizada em 22 de dezembro do ano passado.
Paulo Curió e Tânya Karla foram afastados das funções e tiveram prisão
preventiva decretada.
Com isso, o comando do
município ficou, desde o dia 26, a cargo do presidente da Câmara Municipal,
José Luís Araújo Diniz, o Pelego, também investigado no esquema e que cumpre
prisão domiciliar com outros cinco vereadores de Turilândia.
Pela decisão judicial,
Araújo e mais dez vereadores investigados, que também cumprem prisão
domiciliar, ficaram autorizados a sair de casa apenas para participar de
sessões da Câmara Municipal previamente marcadas.
O esquema que causou danos
aos cofres de Turilândia, município com pouco mais de 31 mil habitantes e
localizado na Baixada Maranhense, começou em 2021 e ocorria por meio da “venda”
de notas fiscais por empresas que venciam licitações simuladas, entre elas
postos de combustível.
O Ministério Público (MP)
estimou o dano total em R$ 56.328.937,59. O prefeito e pessoas próximas a ele
recebiam de 82% a 90% dos valores pagos pela prefeitura de Turilândia. A
diferença ficava com os empresários que forneciam as notas fiscais
fraudulentas.
As investigações envolvem as
empresas Posto Turi, SP Freitas Júnior LTDA, Luminer e Serviços LTDA, MR Costa
LTDA, AB Ferreira LTDA, Climatech Refrigeração e Serviços Ltda, JEC
Empreendimentos, Potencial Empreendimentos e Cia Ltda, WJ Barros Consultoria
Contábil e Agromais Pecuária e Piscicultura LTDA, além de outras pessoas
físicas e jurídicas, servidores públicos e particulares.
O Ministério Público
destacou que houve compras superfaturadas de combustível para a frota de dez
veículos da prefeitura: um caminhão, três micro-ônibus, uma motocicleta, um
veículo comum para uso de ambulância, dois veículos comuns para uso em
transporte escolar e dois veículos de passeio. Somente em 2022, a prefeitura
pagou por 150.250 litros de gasolina e 172.462 litros de óleo diesel comum,
combustível indicado para veículos mais antigos.
Análise do MP mostrou que,
com o volume de diesel pago, os seis veículos da prefeitura que utilizam o
combustível conseguiriam percorrer 1.207.234 km por ano. O suposto deslocamento
corresponde à média de cerca de 791 km por dia, aproximadamente a distância
existente entre Turilândia e Jericoacoara, no litoral cearense.
O MP justificou o pedido de
intervenção com base no grave comprometimento da ordem pública no município e
considerando a insuficiência das medidas judiciais anteriormente estabelecidas,
como prisão preventiva, prisão domiciliar, afastamento do cargo público,
suspensão dos pagamentos às empresas utilizadas no esquema e busca e apreensão
de provas e produtos dos crimes.
“Durante a deflagração da
Operação Tântalo II, destinada ao cumprimento de mandados judiciais de busca e
apreensão e de prisão, foram apreendidos mais de dois milhões de reais em
espécie na residência de um dos investigados. Tal fato confirma a plena
atividade da organização criminosa, a tranquilidade dos envolvidos na
reiteração de seus atos ilícitos e revela uma verdadeira afronta ao Poder
Judiciário do Maranhão, ao esforço do Ministério Público e à sociedade
turilandense”, destacou o Ministério Público.
Agência Brasil


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