Da fibra do sisal à arte das mãos: peças de agricultora artesã ganham destaque na 5ª Caprifeira.
A fibra do sisal, também
conhecido como agave, transformada em peças artesanais através do talento de
uma agricultora que aprendeu a ser, também, artesã. Maria Eliana Silva expôs
durante a 5ª Caprifeira realizada em Barra de Santa Rosa que integra o Circuito
Paraíba Agronegócios, promovido pelo Governo da Paraíba por meio da Secretaria
de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB), em parceria
com a prefeitura municipal.
A artesã utiliza a fibra do
sisal, assim como outras mulheres que integram a Cooperativa Mulheres de
Cuiuiú, uma comunidade da zona rural de Barra de Santa Rosa, que é referência
na produção de peças tendo como matéria-prima a fibra da planta muito comum na
região.
O secretário da Sedap-PB,
Joaquim Hugo Vieira, pontuou que a 5ª Caprifeira em Barra de Santa Rosa é um
exemplo de exposição que dá visibilidade ao produtor rural, ao artesão e às
pessoas que trabalham na zona rural. “Dentro desse ambiente, a Sedap-PB tem buscado
em todas as exposições destacar a presença da mulher, mostrando o trabalho, a
força, a liderança e a presença feminina como protagonista nos mais diversos
setores. São mães, esposas, filhas e irmãs que trabalham, produzem e têm que
ter o reconhecimento pela energia que desprendem, que precisam ser retiradas da
invisibilidade social”, enfatizou.
A assessora de Gestão Social
da Sedap-PB e idealizadora do projeto “Mulheres do Agro Antes da Porteira”,
Márcia Dornelles, explicou que o projeto objetiva trazer a mulher da zona rural
para que ocupe o espaço de protagonismo que merece. “A proposta do projeto é
mostrar que o agro vai muito além da porteira e que as mulheres exercem papel
fundamental em toda a cadeia produtiva. Ao conectar histórias, competências e
liderança, o ‘Mulheres do Agro’ busca promover reconhecimento, troca de
experiências, fortalecimento de redes e valorização da atuação feminina no
setor”, apontou.
Para ela, a fibra não é
apenas matéria-prima: é memória, identidade e permanência cultural. “A fibra do
sisal carrega consigo as marcas do tempo, das mãos que a cultivam e das
histórias construídas no interior das comunidades rurais. Em cada fio trançado
existe um conhecimento herdado de geração em geração, preservado principalmente
pelas mulheres, que mantêm vivos os modos tradicionais de produzir, criar e
sobreviver no campo”, comentou Márcia Dornelles. Ela complementou: “Desse modo,
a fibra do sisal ultrapassa sua função utilitária. Ela se transforma em símbolo
de resistência, ancestralidade e preservação cultural, mantendo viva a conexão
entre território, história e comunidade. Nas mãos das mulheres rurais, o sisal
deixa de ser apenas fibra e passa a ser linguagem, memória coletiva e afirmação
de existência”.
A artesã Maria Eliana Silva revelou
que começou a trabalhar as fibras de sisal quando ainda era adolescente, por
volta dos 14 anos. Ela já vi os pais e avós usando a planta para produzir
cordas e outras peças e, assim, aumentar a renda familiar. Moradora da
comunidade da Fazenda Cuiuiú, ela foi uma das fundadoras do grupo que se tornou
a Cooperativa Mulheres de Cuiuiú.
Maria Eliana relatou que o
trabalho com a fibra do sisal, ou o agave, requer uma preparação do material.
As folhas fibrosas da planta são transformadas através de um processo com
várias etapas. É retirada a casca e a fibra é esticada e passa por um processo
de lavagem onde se utiliza materiais como água sanitária e sabão. Depois, elas
são secadas por várias horas. Em seguida, ela explicou que as fibras passam por
uma espécie de batedeira para deixá-las amolecidas.
O processo de preparo das
fibras, disse Maria Eliana, teve a participação da equipe do Parque Tecnológico
da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). “Eles pesquisaram e ensinaram
como a gente conseguia usar da melhor forma as fibras do sisal”, contou.
“Só, então, as fibras estão
prontas para tear, para serem criadas as peças”, apontou Maria Eliana. Ela
disse que as formas e os tipos dos objetos são pensados pelas integrantes do
grupo e as ideias são repassadas com as demais integrantes da Cooperativa
Mulheres de Cuiuiú e todas passam a produzir”, garantiu a artesã.
A partir daí é o talento das
artesãs como Maria Eliana que transforma as fibras do sisal em peças como
abajur, suportes, artigos de decoração, tapetes, bandejas, bolsas e tantos
outros itens. As delicadas cordas de sisal são pacientemente trançadas, ganham
forma e revelam a criatividade das mulheres do campo. “É um processo manual. É
também uma terapia, pois é feito com amor, com carinho. Dá gosto de ver as
peças prontas”, lembrou.
A Cooperativa Mulheres de
Cuiuiú tinha no começo cerca de 40 integrantes, inclusive, homens. Com o passar
do tempo, muitos foram saindo e outros chegando. Do grupo inicial, só cinco
permanecem, entre elas Maria Eliana. Ela apontou que atualmente são 15
mulheres: “Muitos saíram porque encontram oportunidade de trabalho fora. Outras
foram chegando, algumas mais novas, que queriam aprender, participar e é bom
porque vai se renovando, mantendo o grupo”.
A parte seguinte é a
comercialização. As peças recebem etiquetas informando sobre a sua origem, com
os contatos e um resumo da história da Cooperativa Mulheres de Cuiuiú. As
integrantes do grupo, então, expõem e vendem a produção em exposições e feiras
do agro e de artesanato. O dinheiro não é suficiente para pagar todas as
contas, afirmou Maria Eliana, que ainda produz cordas de sisal para uso geral
e, também, continua trabalhando no plantio na agricultura. “É uma renda que
ajuda muito em casa”.
Maria Eliana concluiu
orgulhosa: “As peças feitas de sisal, quando ficam prontas, dão muito orgulho.
É a nossa cultura, é feito por nós, nos representa”. O perfil do Instagram do
grupo, o Artesanato Cuiuiú, é o @artesanatocuiuiu.
Criadores destacam a
importância da exposição
A realização da 5ª
Caprifeira de Barra de Santa Rosa é considerada fundamental para o crescimento
do setor da caprinocultura do município, gerando emprego e renda para centenas
de famílias da zona rural. A produção de leite de cabra, por exemplo, que há cinco
anos era de 25 litros/dia de média passou atualmente para 850 litros/dia. A
exposição reuniu 460 animais de 54 expositores. Foi preciso ampliar o espaço
das baias para comportar todos eles.
O criador Arthur Silva é do
Capril Madena, de Barra de Santa Rosa, que apresentou 10 animais na exposição.
“A Caprifeira é muito importante para o produtor porque a gente consegue fazer
a venda dos animais, obtém muito conhecimento com outros criadores e palestras
e assim desenvolve a genética dos animais, melhorando a produção”, comentou.
Ele avaliou que o evento deste ano superou a edição do ano passado.
A 5ª Caprifeira também
contou com criadores de outros municípios. Um deles foi Jair Leandro Silva, do
município de Conde, no litoral paraibano, que apresentou 15 animais. Foi a
primeira vez dele na exposição em Barra de Santa Rosa. “O evento foi muito bom,
bem organizado. É ótimo para o produtor participar porque a gente consegue
fazer a venda no local e também tem os contatos que acabam gerando negócios
depois”, ressaltou. Ele acrescentou que “a exposição também estimula os novos
criadores. Tem muita gente que vem procurar saber como é a criação, procurando
informações e até adquirindo animais para começar o rebanho”.
O prefeito de Barra de
Santana, Alex Condá, fez uma avaliação da edição deste ano da exposição e já
projeta um crescimento ainda maior para 2027. “A 5ª edição da Caprifeira nos
surpreendeu. Nós tivemos um aumento significativo da estrutura. A área interna
do nosso mercado não comporta mais os expositores e tivemos que usar uma rua
paralela. Cresceu o número de expositores, de animais, o volume de comércio,
praça da alimentação, Circuito Empreender-PB, todos tiveram vendas
satisfatória”, frisou.
Alex Condá apontou como
a realização da Caprifeira transformou a
produção de leite de cabra no município. “O resultado do evento é muito bom e
nos deixa desafiados para o próximo ano fazer da sexta edição maior e melhor,
principalmente, para os nossos produtores locais, porque, são para eles que nós
fazemos esse evento”, comentou. Ele avaliou: “A produção de leite de cabra do
nosso município é uma média de 850 litros por dia, graças ao empenho e à
dedicação dos nossos produtores e, principalmente, da melhoria do padrão
genético dos animais deles, sem falar no aumento do número de criadores, do
melhoramento genético. É perceptível a melhoria na renda dos produtores, sem
falar do incremento na economia local. Todo mundo ganha”.
A 5ª Caprifeira foi
realizada até esse sábado (9) através da parceria da Prefeitura de Barra de
Santa Rosa com o Governo do Estado através da Sedap-PB e do Programa Empreender
Paraíba. Também são parceiros do evento o Sebrae-PB e a Associação Paraibana de
Criadores de Caprinos, Ovinos e Bovinos (Appaco + Bov).
Secom PB


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