Após suspensão da Butantan-DV, outras vacinas contra a dengue seguem disponíveis.
Qdenga continua sendo
aplicada na rede pública, enquanto Dengvaxia permanece disponível apenas em clínicas
privadas
Apesar de o Ministério da
Saúde ter anunciado a pausa temporária da vacinação contra a dengue com o
imunizante do Instituto Butantan (Butantan-DV), outras vacinas contra a doença
continuam disponíveis nas redes pública e privada de saúde, com eficácia e
segurança comprovadas.
Uma delas é a Qdenga, da
farmacêutica japonesa Takeda. O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2023 e é aplicado em duas doses. A
vacina é indicada para pessoas de quatro a 60 anos, independentemente de terem
tido dengue anteriormente. No Sistema Único de Saúde (SUS), no entanto, a
aplicação está restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Cerca de 8 milhões de doses
da Qdenga já foram aplicadas no Brasil, com impactos visíveis no controle da
doença. Mas, apesar de o Ministério da Saúde ter adquirido todas as doses
disponibilizadas pelo fabricante, a capacidade de produção da vacina ainda é
insuficiente para atender à demanda nacional.
Outro imunizante disponível
é a Dengvaxia, da farmacêutica francesa Sanofi. Primeira vacina contra a dengue
aprovada pela Anvisa, em dezembro de 2015, ela é indicada para pessoas de nove
a 45 anos que já tiveram a doença. Disponível apenas na rede privada, o
imunizante é aplicado em três doses e exige comprovação de infecção prévia pelo
vírus.
Pausa na vacinação com a
Butantan-DV
Na última segunda-feira (8),
o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da estratégia de
vacinação com a Butantan-DV. A decisão foi tomada em consenso com a Anvisa,
após o registro de 42 casos com sinais de alerta. Desses, três foram
classificados como graves, incluindo dois óbitos.
Entre os sintomas, foram
observados dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos,
manifestações que não haviam sido identificadas nos estudos clínicos, nem
estavam descritas na bula do imunizante.
Esses eventos correspondem a
0,008% de um total de 501 mil doses aplicadas até 30 de maio de 2026. Segundo o
ministério, ainda não há conclusão sobre uma possível correlação entre os casos
e a vacina, e as investigações continuam.
Enquanto isso, estados e
municípios devem manter em estoque as doses da vacina contra a dengue do
Instituto Butantan até nova orientação. A recomendação foi reforçada pelo
diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da
Saúde, Eder Gatti.
"A orientação é que os
municípios coloquem o imunobiológico em reserva dentro da sua rede de frio, ou
seja, nós não vamos distribuir mais vacinas de dengue [Butantan-DV] por hora.
Os estados e municípios que tiverem essa vacina no seu estoque devem segurar
até segunda ordem", explicou Gatti, em entrevista à Rádio Nacional.
O diretor ressaltou que a
vacina Qdenga não apresentou qualquer sinal de alerta e segue sendo aplicada
normalmente nos postos da rede pública de saúde.
A estratégia de vacinação
com a Butantan-DV teve início em janeiro deste ano e era direcionada aos
profissionais da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, à população de
15 a 49 anos de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e da região de
Araguaína (TO). Segundo o Ministério da Saúde, os casos graves não ocorreram
nas localidades onde a imunização foi ampliada para a população em geral.
A pasta ressalta que os
eventos adversos investigados não invalidam a eficácia do imunizante. Nos
estudos clínicos, a Butantan-DV apresentou eficácia geral de 65% e de 80,5% na
prevenção de casos graves.
Quem já recebeu a vacina
corre risco?
De acordo com o Ministério
da Saúde, quem já recebeu a Butantan-DV continua protegido contra os quatro
sorotipos da dengue. A suspensão temporária da estratégia não altera a eficácia
do imunizante. Assim como qualquer medicamento, vacinas podem estar associadas
a eventos raros e inesperados.
Segundo a pasta, mais de 90%
dos vacinados não apresentaram efeitos colaterais. Entre os eventos mais
frequentes, a maioria foi classificada como leve ou moderada, com
desaparecimento espontâneo em poucos dias.
Segundo a bula, os efeitos
adversos esperados em parte dos vacinados são:
● dor de cabeça,
● dores no corpo,
● dor nos olhos,
● manchas na pele,
● cansaço extremo,
● coceira,
● enjoo,
● sensibilidade à luz,
● calafrios.
Muito raramente foram
detectados casos semelhantes à dengue com febre.
A orientação é monitorar o
estado de saúde por até 21 dias após a aplicação da dose. Em caso de febre, dor
abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência
excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, é recomendado
procurar atendimento médico imediatamente.
Após esse período, não há
mais componente ativo da vacina detectável no organismo.
Casos de dengue caem 94%
Até 30 de maio deste ano
(Semana Epidemiológica 21), o Brasil registrou queda de 94% nos casos prováveis
de dengue e de 97% no número de mortes em comparação com o mesmo período de
2024, segundo levantamento do Ministério da Saúde.
Apesar da melhora dos
indicadores, a dengue continua sendo a maior endemia do país. A pasta reforça
que a vacinação permanece como uma ferramenta fundamental no enfrentamento da
doença e pode contribuir para resultados ainda mais expressivos nos próximos
anos.
Fonte: Brasil 61 -


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