FPM e FPE devem ter alta de 34% em novembro.

Imagem ilustrativa - Reprodução internet
Tesouro Nacional projeta
novos aumentos nos repasses em dezembro; inflação, mercado de trabalho e
consumo influenciam a arrecadação dos fundos
O boletim de setembro de
2026 da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) projeta um crescimento de 34% nos
repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo de
Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) em novembro, na comparação
com outubro.
Em setembro, as
transferências somaram R$ 34,3 bilhões, já descontada a parcela destinada ao
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação (Fundeb). O valor representa um aumento de 13,4% em
relação a agosto, quando os repasses totalizaram R$ 30,3 bilhões.
Para outubro, a STN estima
uma alta de 4,8% em relação a setembro. Já para dezembro, a projeção é de
crescimento de 11% na comparação com novembro.
Os percentuais referentes a
outubro, novembro e dezembro são estimativas, e não valores já transferidos ou
garantidos. As variações comparam cada mês ao imediatamente anterior, sem
considerar o desempenho no mesmo período de 2025.
Efeito da inflação
O especialista em orçamento
público Cesar Lima explica que parte do crescimento dos repasses do FPM e do
FPE em 2026 está associada à inflação. Segundo ele, além das incertezas
relacionadas ao processo eleitoral brasileiro, o cenário internacional tem
pressionado os preços dos combustíveis.
“Isso acaba ecoando por toda
a cadeia produtiva, desde o preço do frete até o preço final do que chega ao
consumidor, desde uma blusa até o alimento que vai à mesa todos os dias”,
afirma.
Nesse contexto, segundo o
economista, a elevação dos preços pode contribuir para o aumento da arrecadação
tributária e, consequentemente, dos valores distribuídos aos estados e
municípios. Isso significa que parte do crescimento nominal dos repasses pode
refletir a inflação, sem representar, necessariamente, uma expansão real da
economia na mesma proporção.
Mercado de trabalho favorece
arrecadação
Outro fator que contribui
para as perspectivas de crescimento dos fundos, segundo o especialista, é o
desempenho favorável do mercado de trabalho brasileiro.
“Nós temos uma situação de
empregabilidade no Brasil muito favorável, o que aumenta, por conseguinte, a
arrecadação do imposto de renda, que é um dos principais componentes do FPE e
do FPM”, explica.
Como os fundos são
abastecidos, entre outras fontes, por parcelas da arrecadação do Imposto de
Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o aumento das
receitas desses tributos pode ampliar os recursos destinados aos governos
estaduais e municipais.
Aumento das vendas no fim do
ano
Cesar Lima também destaca a
influência da sazonalidade sobre a arrecadação tributária. Segundo ele, o
comportamento das receitas varia ao longo do ano, conforme a atividade
econômica e o calendário de consumo.
A proximidade da Black
Friday, das compras de Natal e do período de férias tende a estimular as vendas
em diferentes setores. Esse movimento pode contribuir para elevar a arrecadação
de tributos e, consequentemente, influenciar os valores distribuídos pelo FPM e
pelo FPE.
Expectativas
No primeiro decêndio de
dezembro, os municípios recebem um repasse adicional de 1% do FPM. O recurso
pode reforçar o caixa das prefeituras no encerramento do exercício financeiro,
período marcado por compromissos como o pagamento do 13º salário dos servidores
e o cumprimento de outras obrigações da administração municipal.
Para 2027, Cesar Lima
projeta um início de ano mais lento do que o observado em 2026.
“Nós temos uma projeção de
um início de ano mais lento do que aconteceu nesse ano de 2026. Talvez muito em
decorrência das incertezas internas e externas no Brasil. Contudo, o
crescimento real aconteceu em 2026, e isso para os municípios é de grande
valia”, conclui.
Fonte: Brasil 61 –

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